Em o “direito de passarprimeiro”.Em companhia ao

Em companhia ao avanço do comércio, serviços e viagens, cresce também a demandapor mobilidade. Todas as riquezas de uma nação fluem pelas vias ao longo do seu território,chegam às fábricas, escoam para os centros urbanos das grandes cidades e chegam às casas, emforma de produtos ou serviços. Além dos caminhões, ônibus, vans e utilitários que fazem essesistema de comércio acontecer, tem crescido também o número de carros de passeio nas ruas,tornando um espaço que seria suficiente para 15 pessoas em um transporte público, ocupadopor um só cidadão em seu veículo particular. E a expectativa é de que esse fenômeno cresça,visto que ainda são poucos os investimentos no transporte público e cada vez maiores aspossibilidades de crédito para compra de veículos.Ao longo de décadas, as grandes cidades têm investido em soluções para esseproblema. E a tecnologia tem ganhado espaço nesse contexto. Em 1914, na cidade de Cleveland,em Ohio, nos Estados Unidos, foi criado o primeiro semáforo luminoso, com a intenção deorganizar e permitir a fluidez do trânsito, cada vez mais disputado por carros e pedestres. Ehoje, é difícil imaginar o cenário de um cruzamento de avenidas, sem a presença de semáforos.Segundo DENATRAN (1984, apud REGO; SEMENTE, 2017), “Em um cruzamento entre duasou mais vias existem movimentos que não podem ser realizados simultaneamente, pois sãoconflitantes entre si”. Então, para evitar conflitos como esse, faz-se necessário estabelecerregras de prioridade de fluxo, ou seja, regras que definem quem tem o “direito de passarprimeiro”.Em companhia ao avanço organizacional que os semáforos trouxeram, surgiu um novoproblema: o congestionamento. Segundo dados do DENATRAN (2017), a frota brasileira deveículos passou de 29.722.950, em 2000, para 95.099.183, em 2017. Deste modo, o espaço nasruas tem se tornado cada vez mais concorrido. Sendo assim, a tarefa de programar um semáforotornou-se mais complexa, requerendo bastante cuidado e estudo, a fim de evitar a formação defilas, provocadas pela interrupção das vias.Em sua maioria, a programação dos semáforos é determinada por tempos fixos – osdepartamentos de engenharia de trânsito dedicam-se à analisar o comportamento do tráfego nascidades (suas variações de densidade de acordo com cada horário do dia), para assim elaboraros melhores planos semafóricos (tempos de abertura e fechamento) possíveis. Contudo, devidoàs variações de fluxo que uma via pode apresentar, os semáforos de tempo fixo podem não ser tão ideais, visto que o comportamento do trânsito quase sempre não obedece à oscilaçõespadrões. Por exemplo, não há como prever a decisão humana de escolha pelo melhor caminho,porém se a massa de motoristas escolher trafegar por uma avenida “x”, porque “y” encontra-seinterrompida, os semáforos ao de longo de “x” deveriam adequar-se a esse aumento dademanda. Aos semáforos que possuem a capacidade de alternância de luzes, verde (siga) evermelho (pare), com temporização adaptável à quantidade de veículos presentes, dá-se o nomede semáforos inteligentes.Além disso, as repedidas manobras de frenagem e aceleração, exigidas em umengarrafamento, provocam um maior desgaste de peças e, sucessivamente maior consumo decombustível, devido às trocas de marcha e ao tempo improdutivo.Buscando resolver o desafio de encontrar a melhor resposta para o fluxo ótimo deveículos nas cidades, evitando congestionamentos e tempos excessivos de paradas emsemáforos, diversas soluções inteligentes que utilizam equipamentos eletrônicos que secomunicam por radiofrequência (RF) para produzir respostas em tempo real têm surgido eganhado cada vez mais espaço.Nesse sentido, atualmente tornou-se comum o uso deaplicativos de GPS que podem ser facilmente acessados por um motorista que tenha umsmartphone à mão conectado a uma rede de dados. A título de exemplo destacamos o GoogleMaps e o Waze. Esses sistemas detectam em tempo real, baseados na coleta de informações, ocomportamento do trânsito e avisam aos motoristas sobre congestionamentos, ruas interditadas,acidentes, etc., além de sugerir as melhores rotas para uma viagem. Em algumas grandescidades existem também painéis eletrônicos de mensagens que exibem constantemente avisosaos motoristas permitindo a eles a melhor escolha de trajeto e alertando-os sobre perigos emvias específicas.Essa tecnologia atual também trouxe à existência os semáforos inteligentes, que poucoà pouco deixam de ser um vislumbre do futuro e passam a ser uma realidade presente. Em maiode 2017, 88 semáforos inteligentes começaram a funcionar em Salvador, na Bahia, prometendoaumentar em até 30% a fluidez do trânsito na cidade, segundo CORREIO (2017). Os temposde abertura e fechamento dos semáforos se adequam à necessidade de fluxo nas vias, permitindoque a população perca menos tempo no trânsito. Por meio de câmeras de alta resolução, o sistema contabiliza a quantidade de veículos nos cruzamentos e reprograma os semáforos emtempo real. A implementação do sistema exigiu um investimento de R$12 milhões na época.Em 2012, o engenheiro eletrônico Bruno Sarno Mugnela, em sua dissertação demestrado apresentada na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP),descreveu um interessante projeto sobre semáforos inteligentes. O intitulado “GenPolis” trata-se de um sistema que, baseado na teoria evolutiva das espécies, de Charles Darwin, possibilitaa adaptabilidade dos planos semafóricos à necessidade do trânsito. Baseando-se na quantidadede veículos nas vias, o sistema constrói séries binárias, “cromossomos”, sobre os quais seaplicam mutações e cruzamentos que permitem a criação dos planos. Em teste real, o protótipofoi instalado em semáforos de tempo fixo ao longo de seis cruzamentos de uma movimentadaavenida de São Paulo (SP), e elaborou planos semafóricos tão bons que foram adotados pelaCompanhia de Engenharia de Tráfego da cidade.Ainda é escassa a presença de semáforos inteligente nas ruas, especialmente do Brasil,mas seu crescimento tem ganhado ritmo noutros países. Estudos sobre esse tema têm atraído ointeresse de estudantes, pesquisadores, empresas e governos no mundo inteiro.