Guilherme de lugar em busca de uma

Guilherme Paulino21 de maio de 2017Written Task 2Português HLOutline:Foco 2:  De que modo e por que um dado grupo social é representado de uma determinada forma no texto?Obra analisada: Vida Secas, de Graciliano Ramos3 – Literatura: textos e contextosAprofundamento da análise: Linguagem: Comunicação de Fabiano com a sociedadeInclusão socialAnimalizaçãoHumilhaçãoGoverno (estado):Soldado AmareloAnimalizaçãoInferioridadeConexão com outras obras:O livro A Metamorfose, de Graciliano RamosOpressão e exploração da elite influenciada pelo capitalismoO filme Abril Despedaçado, dirigido por Walter SallesAngústia da morte pela misériaMesmo cenário: sertãoOpressão despercebidaO livro Vidas Secas, de Graciliano Ramos, descreve o drama da seca do sertão brasileiro e narra a saga de uma família pobre, cujo sonhos foram sequestrados pelo sofrimento e miséria impostos pela escassez de água e pela falta de perspectiva de vida. Retirantes sertanejos são obrigados a mudar de tempos em tempos de lugar em busca de uma vida menos árida e trabalho e devido sua condição social vulnerável, são frequentemente explorados por proprietários de terra da região. O trabalhador – pertencente por uma classe social mais pobre – é representado pela exploração e opressão social dos ricos proprietários da região, somando-se à miséria imposta por uma influência social.O autor busca através de sua narrativa se aprofundar no eu interior de cada personagem e o drama social vivido por cada um de forma crítica e realista. Isso mostra claramente a sua intenção de denunciar a problemática da desigualdade e do descaso social da elite e ricos proprietários da região em relação ao retirante sertanejo: Fome, falta de moradia, descaso do governo, tanto em relação à miséria causada pela a seca, quanto a relação de exploração de trabalho entre proprietários de terra e retirantes pobres.  Essa é a realidade vivida pela família de Fabiano, protagonista de Vidas Secas. Graciliano Ramos utiliza-se de sua narrativa como forma de conscientizar sua audiência da precariedade e abandono vivido não só por Fabiano, – homem sem medo do trabalho duro e com pouca ou nenhuma instrução – mas dos muitos brasileiros que vivem a mesma situação.A linguagem dos personagens da narrativa demonstra a marginalidade social que vivem classes mais pobres. A miséria da família de Fabiano foi devido à falta de oportunidades. Sua baixa instrução era tamanha que mal conseguia comunicar-se. Fabiano não tinha o dom da palavra e diante desta situação, ele quase que cria sua própria linguagem. Muitas vezes sentia-se como um animal e que somente sua cachorra Baleia o entendia. A linguagem é um dos fatores fundamentais de inclusão social. Sua falta de instrução, aliada a sua condição social o tornava presa fácil a oportunistas dispostos a tirar proveito de sua vulnerabilidade. Com isso aumentava cada vez mais o abismo social entre ele e aqueles que o explorava. Fabiano era um retirante,  não tinha terras, passava situação de fome e precisava de trabalho para a sobrevivência de sua família, por isso era submetido a inúmeras humilhações por parte de seu patrão, a quem o descreve como sendo um homem “arreliado, exigente e ladrão, espinhoso como um pé de mandacaru” (Capítulo 2 – Fabiano).O descaso do governo em relação a vida e miséria dos retirantes sertanejos também era abordado no romance Vidas Secas. No livro o governo era representado pelo personagem soldado amarelo e para Fabiano, ambos representavam o inimigo. O autor descreve a relação de opressão entre classes pobres e o Governo, que criava leis que acentuavam ainda mais a desigualdade e entre classes.  No lugar de proteger os mais desfavorecidos, apenas o colocavam formalmente na posição de menor importância. O estado “animalizava” retirantes, no que se refere aos seus direitos. Vemos em um trecho da narrativa, um exemplo de como Fabiano possuía características e costumes como os dos animais: “Vivia longe dos homens, só se dava bem com animais. Os seus pés duros quebravam espinhos e não sentiam a quentura da terra. Montado, confundia-se com o cavalo, grudava-se a ele. E falava uma linguagem cantada, monossilábica e gutural, que o companheiro entendia. A pé, não se aguentava bem. Pendia para um lado, para o outro lado, cambaio, torto e feio. Às vezes utilizava nas relações com as pessoas a mesma língua com que se dirigia aos brutos – exclamações, onomatopéias. Na verdade falava pouco. Admirava as palavras compridas e difíceis da gente da cidade, tentava reproduzir algumas, em vão, mas sabia que elas eram inúteis e talvez perigosas.” (RAMOS, 1992, p. 20). O soldado amarelo, na visão de Fabiano, era o opressor, a quem deve se sujeitar. No decorrer da narrativa Fabiano sofre com suas arbitrariedades quando é colocado por ele na cadeia. Seu desejo de vingança é mais tarde substituído por desprezo quando percebe que este era apenas mais um oprimido pelo mesmo estado e que dele só recebia ordens.Aprofundando ainda mais esta análise, pode-se dizer que existem características similares de opressão, exclusão e exploração social entre o romance Vidas Secas e o filme Abril Despedaçado do diretor Walter Salles, publicado em 2002,  e também com o livro A Metamorfose do autor Franz Kafka, publicado em 1938. Em relação ao primeiro, ambos abordam a saga da miséria e superação no cenário árido do sertão brasileiro. Tanto Fabiano quanto Tonho, – protagonista de Abril Despedaçado – , sofrem a angústia da morte pela miséria. Suas famílias sofrem opressão e exploração de uma elite dominadora. As duas histórias têm desfechos de superação, onde os personagens realizam que não permitiriam mais serem explorados e se rebelam. Ambos desejam um destino diferente de seus antepassados. Em relação ao A Metamorfose, Gregor, – personagem principal do livro –, assim como Fabiano, sofre opressão e exploração de seu patrão, e neste caso, pela influência do capitalismo. Ele passa horas trabalhando, de maneira frenética e alienada, para poder sustentar sua família. Segundo Franz Kafka autor do livro, “A opressão é algo que nos passa despercebido”.Após analisar a obra em relação a representatividade do pobre sertanejo, podemos deduzir que existe uma exploração dos ricos proprietários da região imposta pela influência social, aumentando mais a característica da miséria. Com isso, podemos concluir que  o sofrimento, a miséria e a exploração de classes menos favorecidas realmente passam despercebidos, pois são frequentemente ignorados por elites e governos antiéticos e oportunistas. Fazem em nome de interesses econômicos próprios. Aos explorados entretanto, a opressão é real. Ela fere, causa dor, sofrimento. Não há como não ser sentida e percebida.